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O limite mudou: mesmo com pressão arterial 12X8 pacientes podem ser hipertensos

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A hipertensão arterial está no topo dos fatores de risco que têm maior impacto na mortalidade da população mundial – são 10 milhões de mortes por ano atribuídas ao problema. Mas veja que curioso: apesar de todo o perigo que o problema representa, as pessoas continuam negligenciando prevenção e informação sobre o tema. O jeito foi apertar ainda mais o cerco contra a doença, diretamente relacionada à maior chance de ocorrência de acidente vascular encefálico e infarto, além de outra penca de males à saúde.

A Associação Americana do Coração e o Colégio Americano de Cardiologia resolveram atualizar os limites considerados normais para a pressão arterial. Agora, a “pressão boa” é aquela abaixo de 120x80mmHg, ou abaixo do conhecido 12 por 8. Pela diretriz adotada nos Estados Unidos, uma pessoa com essa marca já apresentaria uma pressão arterial considerada elevada e, se chegar à marca de 130×80, é hipertensa. Antes, considerava-se a medida de 140×90 para hipertensão.

Os parâmetros atuais adotados no Brasil ainda consideram a pressão 12 por 8 normal, mas, como apontam estudos, o ideal seria mesmo ficar abaixo disso. E esse amontoado de números é um ponto que justificaria a falta de cuidado que a maioria da população tem com a pressão arterial. Presidente da Sociedade Latino-Americana de Hipertensão, Eduardo Barbosa entende que, por não apresentar sintomas, a doença não recebe atenção.

“O paciente acaba vendo ali um número apenas, mas, como não sente nada, não trata. Os números das diretrizes americana e brasileira podem ser diferentes, mas o conceito é o mesmo, e o importante é que as pessoas conheçam. De 30% a 35% da população mundial é hipertensa, mas metade não sabe disso”, diz.

Valores menores já são praticados
Em busca de mais dados sobre a hipertensão arterial do brasileiro, Barbosa está coordenando uma força-tarefa de cardiologistas que, durante o mês de maio, está empenhada em adotar o novo paradigma terapêutico da doença, baseado na 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão (2016) e no Guideline Latino-Americano, publicado no Journal of Hypertension no final de 2017.

“Queremos que as pessoas consideradas de alto risco comecem a ser tratadas mesmo que ainda não estejam classificadas como hipertensas “, explica o cardiologista.

Outro ponto da força-tarefa, que envolve cerca de 600 médicos, preconiza a combinação de dois remédios em um único comprimido e, dentro da medicação escolhida, a melhor combinação é a que seja feita ao menos uma vez ao dia, que tenha duração de 24 horas. De acordo com o médico, a combinação da medicação atua na maior redução de infarto, isquemia, derrame e disfunção renal.

No final deste mês, os dados brasileiros serão reunidos e encaminhados para a Sociedade Internacional de Hipertensão, que irá apresentar os números de todas as regiões do mundo no congresso internacional da entidade, em setembro, em Pequim (China).

Para muitos pesquisadores (e médicos), já é uma realidade apostar em valores menores do que 12 por 8 como pressão ideal, considerando o envelhecimento da população e também os maus hábitos da vida moderna, como sedentarismo e consumo de alimentos industrializados, riquíssimos em sódio.

Professora e pesquisadora da Faculdade de Medicina da UFRGS, a epidemiologista Sandra Fuchs é uma defensora da adoção dos parâmetros abaixo do famoso 12×8.

“Em boa parte dos serviços de excelência já se adota a medida menor do que 12×8 para a pressão ideal. Isso porque um estudo norte-americano mostrou uma redução de mortalidade inequívoca (25%) para quem baixou a pressão para esses valores. E nove sociedades profissionais norte-americanas endossaram o que está na diretriz deles. Na prática, o que se quer é que as pessoas mudem seus hábitos de vida para não precisar tomar mais remédio – diz Sandra.

O que significa a medida da pressão arterial
Vamos usar como exemplo a clássica medida 12×8. Você sabe o que significa cada número? A pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio (mm/Hg).

>12< Pressão sistólica (SBP), resultante da força com que o coração se contrai e ejeta sangue do ventrículo esquerdo para as artérias. <8> Pressão diastólica (DBP), resulta do estado de contração das pequenas

Prevenção para não viver sob pressão
A hipertensão pode trazer sérias complicações à saúde. Como a doença não costuma apresentar sintomas, as pessoas geralmente são surpreendidas em exames de rotina. Sabe-se também que há fatores de risco que podem ser perfeitamente prevenidos, como obesidade e consumo excessivo de álcool, sem falar no excesso de sal na alimentação, o ingrediente número 1 da pressão alta.

Um estudo publicado em 2017 pelo The British Medical Journal (BMJ) mostrou que a redução de 10% no consumo de sal permitiria salvar milhões de vidas no planeta. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a população adulta consome sal além do limite de 2 gramas por dia, o que colabora para que 1,65 milhão de pessoas morram de doenças cardíacas. No Brasil, chega-se a consumir, em média, 12 gramas diárias de sódio.

“Acho que comer com menos sal seria o ponto principal da dieta e também cuidar o peso e evitar o sedentarismo e o estresse. Bons hábitos podem fazer com que muitos pacientes diminuam a necessidade de remédios !diz Luiz Aparecido Bortolotto, diretor científico da Sociedade Brasileira de Hipertensão e diretor da unidade de hipertensão do Instituto do Coração (InCor).